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Autoridades da ONU disseram ao Conselho de Segurança que 315 pessoas continuam desaparecidas em decorrência do conflito entre Iraque e Kuwait, enquanto os depoimentos de testemunhas estão cada vez mais difíceis de obter e os avanços na busca por bens kuwaitianos desaparecidos continuam limitados.
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O Conselho de Segurança da ONU renovou os apelos para identificar 315 pessoas ainda desaparecidas no conflito entre Iraque e Kuwait de 1990–91, enquanto autoridades alertaram que a redução dos depoimentos de testemunhas e as questões não resolvidas sobre bens kuwaitianos desaparecidos tornam o trabalho mais urgente.
Mari Yamashita, representante sênior do secretário-geral da ONU para o dossiê de pessoas desaparecidas no Iraque e no Kuwait, disse ao Conselho que o destino de 290 pessoas de um grupo inicial de 605 kuwaitianos e cidadãos de outros países desaparecidos havia sido esclarecido. Das 315 pessoas ainda desaparecidas, 308 são kuwaitianas, disse ela. A última identificação confirmada ocorreu em agosto de 2023.
Yamashita disse que 14.000 trincheiras haviam sido escavadas no local de Khamisiyah, onde os investigadores concentram os trabalhos em uma área que, acredita-se, contém os restos mortais de entre 150 e 180 kuwaitianos desaparecidos. Se essa estimativa for confirmada, disse ela, o local poderá corresponder a pelo menos metade dos casos restantes. Ela alertou que estava ficando mais difícil encontrar novas testemunhas: “Estamos ficando sem tempo.”
Ela também mencionou uma testemunha importante cujos relatos divergiam de seu depoimento anterior e que já não estava disposta a cooperar. Yamashita disse lamentar que o governo iraquiano não tivesse conseguido garantir sua participação.
O Conselho ouviu relatos divergentes sobre os avanços. O representante do Kuwait, Rabea Saad al-Adsani, disse que o desafio incluía a falta de acompanhamento de informações e depoimentos já recebidos e pediu ao Iraque que apresentasse um mecanismo e um cronograma para localizar bens e arquivos kuwaitianos desaparecidos. O representante do Iraque disse que 294 de cerca de 602 cidadãos kuwaitianos desaparecidos haviam sido identificados e repatriados, e que o trabalho com o Kuwait e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha continuava. Os números diferem da contagem de Yamashita, que incluía 605 kuwaitianos e cidadãos de outros países desaparecidos.
O representante do Iraque reconheceu que não havia sido registrada nenhuma nova identificação, mas disse que isso não significava que os esforços tivessem parado. Também mencionou a devolução de cerca de 200.000 livros à Biblioteca Nacional do Kuwait em 2019 e de 738 caixas de materiais pertencentes ao Ministério da Informação do Kuwait em 2022. Al-Adsani disse que os avanços na recuperação de bens desaparecidos, inclusive arquivos nacionais, continuavam sendo motivo de preocupação.
A discussão no Conselho também destacou a pressão do tempo sobre as evidências. O representante da Libéria, falando em nome da República Democrática do Congo e da Somália, disse que as famílias não haviam recebido respostas nem alívio e pediu esforços para preservar depoimentos, registros e conhecimento institucional. Os Estados Unidos pediram que as testemunhas conhecidas fossem localizadas e entrevistadas, enquanto o Reino Unido apontou o potencial da análise de DNA e de ferramentas geoespaciais, advertindo que a tecnologia, por si só, não poderia fornecer todas as respostas.
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Yamashita disse que alguns bens kuwaitianos haviam sido devolvidos, incluindo materiais transferidos para a Biblioteca Nacional em 2019, mas que os avanços significativos haviam sido limitados. Ela pediu um plano claro para identificar e localizar os bens e arquivos desaparecidos. Os casos continuam fazendo parte do legado humanitário não resolvido da invasão do Kuwait pelo Iraque em 1990.