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Os números da crise alimentar dão peso ao alerta sobre a fome em tempos de guerra, mas não estabelecem quantas pessoas foram privadas de alimentos deliberadamente. Especialistas da ONU também manifestaram preocupação com os direitos de jovens manifestantes e o acesso à ajuda.
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A relatora especial da ONU Sofía Monsalve Suárez alertou a Terceira Comissão da Assembleia Geral, em 16 de outubro, que a fome estava ressurgindo e sendo usada como arma de guerra. Na mesma sessão, outros especialistas independentes manifestaram preocupação com o tratamento dado a jovens manifestantes e com as barreiras à ajuda humanitária para pessoas LGBT. [1][2]
A dimensão da crise alimentar é alarmante, embora os números citados na reunião se refiram a 2025, e não à situação no dia do debate. Uma avaliação apresentada pelo Centro Comum de Pesquisa da Comissão Europeia contabilizou 1,4 milhão de pessoas na categoria mais grave de insegurança alimentar aguda, conhecida como Catástrofe, no Haiti, no Mali, na Faixa de Gaza, no Sudão do Sul, no Sudão e no Iêmen. O número era superior aos cerca de 155.000 registrados em 2016. A fome foi confirmada em partes de Gaza e do Sudão; a contagem na categoria Catástrofe não significa que a fome tenha sido confirmada em todos os seis lugares. [5]
A mesma avaliação contabilizou 266 milhões de pessoas enfrentando níveis elevados de insegurança alimentar aguda em 47 países e territórios — 22,9% da população examinada. Esses números medem a gravidade da fome, não quantas pessoas foram privadas de alimentos deliberadamente nem quem foi responsável. O total menor que o de 2024, quando 296 milhões de pessoas foram contabilizadas em 53 países e territórios, tampouco demonstra, por si só, uma melhora: a disponibilidade de dados e a cobertura de países diminuíram, enquanto a parcela da população avaliada subiu de 22,3% para 22,9%. [5]
Sobre os direitos de protesto, a relatora especial Gina Romero disse que jovens ativistas enfrentavam estigma, vigilância e repressão e pediu aos governos que lhes dessem um papel significativo nas decisões. Seu relatório se baseou em 190 contribuições e consultas com mais de 500 jovens ativistas e organizações juvenis. A Índia contestou seu relato sobre retaliação ou estigma contra jovens que discutiam saúde mental e justiça de gênero. Israel rejeitou conclusões sobre jovens palestinos, afirmando que suas operações de aplicação da lei visavam delitos criminais, violência ou terrorismo, e não o ativismo político. [1]
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Graeme Reid, especialista independente em orientação sexual e identidade de gênero, alertou que a discriminação poderia impedir que pessoas LGBT tivessem acesso a abrigo, alimentos e outros tipos de assistência. Seu relatório descreve como definições de domicílio, exigências de documentos de identidade e receios relacionados à segurança podem dificultar o acesso, ressaltando que os riscos variam conforme o contexto. Ele pediu que os prestadores de ajuda adaptassem os procedimentos de cadastro, oferecessem encaminhamentos confidenciais e trabalhassem com organizações comunitárias locais. [1][4]