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A mudança na força de trabalho brasileira está redefinindo o segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. A frustração entre antigos apoiadores de Lula ajuda a impulsionar uma guinada à direita — e muitos eleitores ficam em casa.
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A mudança na força de trabalho brasileira complica a tentativa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, à medida que empregos industriais tradicionais dão lugar ao trabalho com entregas, a pequenos negócios e a outros serviços. A BBC News informa que eleitores de antigos polos industriais passaram a apoiar o candidato de direita Flávio Bolsonaro, enquanto muitos dos mais pobres ainda atribuem a Lula a melhora de suas vidas.
Em Osasco, antiga cidade industrial perto de São Paulo, fábricas fecharam enquanto centros comerciais e empresas de tecnologia cresceram. A cidade apoiou Lula em 2022, mas votou em Bolsonaro no primeiro turno deste mês. Os dois se enfrentam no segundo turno no domingo.
Gilberto Almazan, líder sindical dos metalúrgicos em Osasco, disse à BBC que a classe trabalhadora passou dos empregos nas fábricas para os serviços, deixando os sindicatos com dificuldade para acompanhar as mudanças. Em todo o Brasil, milhões trabalham hoje na economia de trabalhos sob demanda, inclusive como motoristas e entregadores de comida por aplicativo, ou administram pequenos negócios.
Alguns eleitores que apoiaram Lula em 2022 dizem agora que querem mudança. A advogada Gisele Bonfim disse à BBC que passou a apoiar Bolsonaro, enquanto Tairine, que vende cachorros-quentes, afirmou que os preços altos e os impostos estavam tornando a vida mais difícil. Bolsonaro propôs reduzir os gastos públicos, o número de ministérios e alguns impostos, dizendo que manteria alguns dos programas sociais de Lula.
O relato da BBC sugere que a insatisfação com Lula nem sempre significa apoio firme ao adversário. Alguns eleitores estão frustrados com a economia, a criminalidade e a corrupção na política; outros, insatisfeitos, não compareceram às urnas no primeiro turno. A abstenção ficou acima da média: 33 milhões de pessoas não votaram — o maior número desde 1998, segundo a reportagem.
As pressões econômicas se somam às mudanças na maneira como os brasileiros da classe trabalhadora organizam suas vidas e comunidades. O autor Richard Lapper disse à BBC que o desemprego havia caído ao menor nível já registrado e que o Brasil havia saído do Mapa da Fome das Nações Unidas durante o atual mandato de Lula, mas que a alta dos preços, o endividamento das famílias e os juros haviam alimentado uma “crise de expectativas”.
A reportagem também aponta o crescente alcance das igrejas evangélicas, que atendem cerca de um quarto da população brasileira e podem oferecer apoio prático, além de uma comunidade religiosa. Alguns pastores conservadores são figuras políticas influentes, e o líder religioso Silas Malafaia disse à BBC que Bolsonaro compartilhava os valores da igreja. Mas o artigo descreve a mudança no primeiro turno entre boa parte da nova classe trabalhadora mais como uma rejeição a Lula do que como um apoio ativo a Bolsonaro.
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A campanha de Lula tenta agora mobilizar as pessoas que não votaram, inclusive por meio de comícios e das redes sociais. Na favela da Maré, no Rio de Janeiro, onde a abstenção também foi alta, alguns moradores continuam valorizando as políticas sociais de Lula. Uma jovem mãe disse à BBC que apreciava medidas como o aumento do salário mínimo e o acesso a medicamentos; outro morador atribuiu a ausência às urnas, em parte, a mudanças de última hora nos locais de votação e à falta de esperança no futuro.
O segundo turno testará se Lula consegue convencer os eleitores de que ainda tem uma proposta política para uma força de trabalho e um eleitorado que mudaram desde a era industrial que sustentou sua ascensão. O primeiro turno mostrou uma guinada para Bolsonaro em lugares como Osasco, mas a reportagem da BBC também aponta a abstenção e o apoio contínuo a Lula entre os eleitores mais pobres como elementos importantes da disputa.