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ANÁLISE E OPINIÃO DE IA
Ilustração editorialA Rússia libertou Stephen Hubbard após mais de quatro anos sob custódia. A afirmação de Donald Trump de que novas sanções certamente teriam interrompido as negociações vai além do que o registro público permite concluir.
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A Rússia libertou o americano Stephen Hubbard em 21 de outubro de 2026, após mais de quatro anos sob custódia, alcançando um resultado diplomático que Donald Trump usa para defender sua política de sanções contra a Rússia. Mas a libertação não comprova sua afirmação de que novas penalidades certamente teriam encerrado as negociações. [1] [8]
Em uma publicação daquele dia em sua conta na Truth Social, Trump disse que, se as sanções tivessem sido impostas, “certamente essas negociações teriam sido totalmente interrompidas”. Ele não especificou a quais sanções se referia. [1]
A libertação de Hubbard foi anunciada durante a visita do enviado americano Steve Witkoff a São Petersburgo. Witkoff agradeceu ao presidente russo Vladimir Putin por libertá-lo, e Putin disse que o americano estava no aeroporto de Pulkovo. [8]
Professor aposentado de Michigan, Hubbard havia sido condenado, após um julgamento a portas fechadas em Moscou, em outubro de 2024, a seis anos e dez meses de prisão por acusações de mercenarismo. Washington o classificou como detido injustamente em janeiro de 2025. Seu advogado disse à Reuters que Hubbard negava ter qualquer função de combate ou militar. [9]
O contexto imediato da política era a ordem executiva de Trump, de 16 de outubro, que dispensou a aplicação de novas medidas previstas na Lei Graham, uma lei de sanções contra a Rússia e o Irã que ele havia assinado em 18 de setembro. Muitas das novas penalidades deveriam entrar em vigor em 18 de outubro. [2] [10]
A dispensa abrangia restrições financeiras e de investimento, além de tarifas elevadas. A ordem estabelecia, mas dispensava, tarifas adicionais de importação dos EUA de 500% sobre produtos russos e de 100% sobre produtos de determinados grandes compradores de petróleo e gás russos e de países que facilitassem a evasão de sanções ao petróleo, sujeitas a condições e exceções previstas em lei.
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A lei permite que o presidente conceda isenções após uma certificação por escrito de interesse nacional e um relatório explicativo ao Congresso; a ordem de Trump afirma que ambos foram apresentados. A ordem também manteve em vigor as sanções impostas por ordens executivas anteriores. Assim, as negociações coexistiram com as penalidades já existentes, embora isso não estabeleça como Moscou teria reagido a uma nova escalada. [2] [3]
Anteriormente, o governo havia apresentado as sanções como instrumento de pressão para a diplomacia. Em 28 de julho, o escritório de orçamento da Casa Branca apoiou o projeto de lei como uma forma de incentivar a Rússia “a aceitar termos para a paz”, ao mesmo tempo que endossou ampla discricionariedade presidencial para dispensar suas medidas. Essa posição dizia respeito às negociações de paz, não às condições específicas para a libertação de Hubbard. [4]
A dispensa foi criticada por parlamentares americanos, inclusive republicanos, e pelo presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, que disse que ela incentivava a Rússia a continuar lutando. [10]
O secretário de Estado Marco Rubio havia apresentado motivos econômicos e diplomáticos para adiar as medidas. Em declarações divulgadas pelo Departamento de Estado e reproduzidas pela Forth, ele disse em 17 de outubro que achava que Trump queria 60 dias para avaliar os efeitos das sanções e tarifas sobre as economias americana e global. Rubio apontou a oferta restrita de energia e a posição da Índia como parceira dos EUA. Em 19 de outubro, mencionou as negociações em curso com a Ucrânia e a Rússia, além dos esforços para finalizar um acordo comercial com a Índia. [5] [6]
As negociações para a libertação do prisioneiro também já eram públicas antes de Hubbard ser solto. O The New York Times, em uma reportagem republicada pelo The Philadelphia Inquirer, disse que Trump havia se referido a “negociações sobre reféns” em 18 de outubro, sem citar o nome de nenhum prisioneiro. [11]
Em 20 de outubro, a ABC News informou, citando duas autoridades dos EUA e outra pessoa familiarizada com o assunto, que Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump, lideravam as negociações centradas em Hubbard. As fontes descreveram as negociações como estando em fase final, mas alertaram que nada havia sido finalizado e que o acordo ainda poderia fracassar ou mudar de escopo. [7]
Trump disse naquele dia que havia conversado longamente com Putin sobre Hubbard e pedido sua libertação. Em uma mensagem separada, anunciando o resultado em 21 de outubro, afirmou que os EUA “não precisaram dar nada em troca”. Essa foi sua versão dos termos, não um acordo divulgado. [7] [12]
A publicação sobre as sanções também dizia que várias pessoas que haviam exigido penalidades imediatas telefonaram para pedir desculpas. Não identificou nenhuma delas nem informou as datas dessas conversas. [1]
Apesar da descrição de Rubio de uma revisão de 60 dias, a ordem executiva não prevê encerramento automático após esse período. As dispensas continuam em vigor até que Trump ou as autoridades designadas determinem que novas medidas são apropriadas. [2]
Uma nova escalada das sanções poderia ter colocado em risco negociações delicadas. Mas a sequência de uma dispensa, conversas e uma libertação não comprova que o acordo dependesse da suspensão das novas medidas. A liberdade de Hubbard é um resultado concreto; a certeza de Trump sobre o que as sanções teriam feito continua sem comprovação no relato público do acordo.