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A visita de nove dias de Charles às Bahamas, à Guiana e a Antígua e Barbuda o envolverá em debates sobre reparações pela escravidão e o futuro da monarquia no Caribe.
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O rei Charles deve iniciar na terça-feira uma turnê de nove dias pelo Caribe, com visitas às Bahamas, à Guiana e a Antígua e Barbuda, em meio a pedidos de reparações pela escravidão e a um debate renovado sobre o futuro da monarquia na região.
A viagem incluirá três discursos importantes e cerca de 36 compromissos. Espera-se que o rei siga a orientação do governo e não peça desculpas oficialmente pelo papel da Grã-Bretanha no comércio transatlântico de pessoas escravizadas. Um assessor sênior da realeza disse que ele “não fugirá dos dias mais sombrios do nosso passado”, mas ressaltou que decisões sobre pedidos de desculpas e reparações cabem ao governo.
O historiador Sir Anthony Seldon chamou a turnê de “o maior risco de seu reinado até agora” e disse que as questões sobre escravidão, reparações e pedidos de desculpas colocam sob escrutínio a integridade moral da monarquia. Protestos são considerados prováveis, e os organizadores incluíram essa possibilidade no planejamento da segurança.
Os líderes dos três países apoiam a justiça reparatória. Nas Bahamas e em Antígua e Barbuda, onde Charles é chefe de Estado, há apoio significativo à transformação dos países em repúblicas. Em Antígua e Barbuda, autoridades eleitas já não precisam jurar lealdade ao rei, encerrando uma tradição de quatro décadas.
A turnê também ocorre após críticas à visita de William e Catherine ao Caribe em 2022, quando eram o duque e a duquesa de Cambridge. Imagens dos dois cumprimentando crianças através de uma cerca de arame na Jamaica foram alvo de críticas, e protestos levaram ao cancelamento de parte da programação.
David Lammy, ex-ministro das Relações Exteriores com vínculos familiares com a região, disse que o rei seria “recebido de forma esmagadoramente positiva” na Guiana, em Antígua e Barbuda, reconhecendo, porém, que “essas são democracias dinâmicas, nas quais, é claro, haverá alguma discordância”.
A programação ocorre enquanto Charles se aproxima de seu 78º aniversário e continua recebendo tratamento regular após um diagnóstico de câncer. O Palácio de Buckingham diz que ele está em uma “trajetória positiva”. A rainha Camilla se juntará a ele na etapa em Antígua e Barbuda, que inclui a Reunião de Chefes de Governo da Commonwealth.
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