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ANÁLISE E OPINIÃO DE IA
Ilustração editorialAs palavras mais conciliadoras do presidente vieram em meio a um protesto diplomático da Líbia. A rota que ele quer fechar está documentada, mas sua publicação não traz pedido de desculpas nem novas medidas de fiscalização.
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Donald Trump elogiou os líbios como “orgulhosos, resilientes e hospitaleiros” em 25 de outubro de 2026, em meio a uma disputa diplomática sobre suas declarações em um comício, mas não pediu desculpas por elas. Em uma mensagem no Truth Social, exigiu o fim do papel da Líbia como corredor migratório, sem apresentar novas medidas de fiscalização.
“A Líbia não pode continuar sendo um corredor para a migração ilegal, e isso precisa acabar agora”, escreveu.
Um dia antes, em um comício em Perry, na Geórgia, Trump incluiu a Líbia entre os “países infestados de terror” e usou a expressão “países de merda”.
O Conselho Presidencial da Líbia exigiu um pedido explícito de desculpas e uma correção, informou a agência estatal de notícias LANA em 25 de outubro. A Reuters informou que o Ministério das Relações Exteriores convocou o encarregado de negócios dos EUA naquele dia e que as administrações rivais da Líbia, no leste e no oeste, condenaram as declarações.
A agência da ONU para refugiados, ACNUR, registrou 10.583 chegadas por mar à Itália após partidas da Líbia entre 1º de janeiro e 14 de junho de 2026 — cerca de 86% das 12.366 chegadas por mar à Itália nesse período. O número referente à Líbia caiu em relação às 24.241 do mesmo período de 2025.
Esses números provisórios reforçam a importância da Líbia como ponto de partida, embora as chegadas tenham diminuído. Eles contabilizam pessoas que chegaram à Itália, não todas as partidas ou interceptações, e não determinam o status migratório ou de asilo de cada viajante. Trump não apresentou números nem indicou um destino em sua publicação.
A Líbia também abriga refugiados e solicitantes de asilo. Em um registro separado, o ACNUR listou 109.123 pessoas registradas no país em 1º de outubro de 2026; esse registro não é uma contagem de pessoas a caminho da Itália. A agência também pediu apoio para os refugiados que fogem da guerra no Sudão e para as comunidades líbias que os acolhem.
As restrições de entrada nos EUA são uma questão à parte. Uma proclamação emitida em 16 de dezembro de 2025 manteve restrições para determinados cidadãos líbios, sujeitas a condições e exceções, com vigência a partir de 1º de janeiro de 2026. A nova publicação de Trump não anuncia mudanças nessas regras nem um acordo para fazer cumprir sua exigência migratória.
A parceria de segurança mencionada por Trump tem um histórico concreto. Os militares dos EUA trabalharam em estreita colaboração com milícias líbias do oeste para expulsar o Estado Islâmico, também conhecido como ISIS, de Sirte em 2016, segundo um relatório de 2020 do Serviço de Pesquisa do Congresso dos EUA. Isso dá respaldo à referência dele a uma vitória militar compartilhada.
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A derrota territorial não significou o fim das atividades do ISIS. Um relatório de monitoramento de sanções da ONU publicado em fevereiro de 2026 afirmou que a inteligência líbia desmantelou pelo menos quatro células de apoio do ISIS durante o período de apuração de junho a dezembro de 2025. As células estavam envolvidas em financiamento, contrabando e propaganda. O relatório também avaliou que os esforços contínuos de combate ao terrorismo haviam limitado significativamente a ameaça do ISIS e da Al-Qaeda no norte da África.
Trump também prometeu apoiar instituições líbias unificadas e eleições nacionais. O Daily News Egypt informou que um acordo assinado no fim de agosto estabeleceu um roteiro de 24 meses, que prevê reformas eleitorais, uma comissão eleitoral reestruturada e um Executivo unificado como etapas rumo às eleições nacionais.
Em pronunciamento ao Conselho de Segurança em 14 de outubro, o embaixador da Líbia na ONU, Taher El-Sonni, afirmou que as conversas haviam produzido entendimentos sobre as leis eleitorais e a comissão eleitoral. Mas também relatou objeções institucionais quanto à participação e à implementação, além de alertas de que acordos sem consenso nacional poderiam aprofundar as divisões, em vez de superá-las.
A mensagem de Trump muda o tom da disputa. Ela não esclarece quem faria cumprir sua exigência migratória, quais novas medidas ele propõe nem que apoio Washington ofereceria.