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Quase dois terços das músicas ouvidas no Reino Unido e nos EUA no primeiro semestre de 2026 tinham pelo menos cinco anos, segundo a Luminate. Os números apontam para o domínio crescente dos catálogos antigos no streaming e levantam questões sobre como novos artistas chegam aos ouvintes.
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Quase dois terços das músicas ouvidas no Reino Unido e nos EUA no primeiro semestre de 2026 tinham pelo menos cinco anos, segundo a empresa de dados musicais Luminate — um sinal de como o streaming tornou os catálogos antigos centrais para a escuta, mesmo com novas músicas chegando em massa às plataformas.
Mais de 100.000 faixas são enviadas a serviços de streaming todos os dias, informa a BBC. Mas, no Reino Unido, 18 das 20 músicas mais vendidas de 2026 até agora foram lançadas há pelo menos um ano. O sucesso de Zara Larsson de 2015, “Lush Life”, ficou em oitavo lugar, enquanto “Billie Jean”, de Michael Jackson, e “Dreams”, do Fleetwood Mac, também apareceram no top 30.
Os números da Luminate mostram que músicas lançadas nos últimos 18 meses representam uma parcela muito menor das reproduções do que as mais antigas. Nos EUA, cerca de 60% das reproduções nos dois gêneros mais ouvidos, R&B e hip-hop, eram de faixas de catálogos antigos, afirma a empresa.
A reportagem da BBC aponta várias razões possíveis. O streaming oferece aos ouvintes acesso instantâneo a décadas de música, enquanto faixas populares podem permanecer nas paradas por meses. O dueto “Rein Me In”, de Sam Fender e Olivia Dean, passou um recorde de 23 semanas não consecutivas em primeiro lugar no Reino Unido, segundo a reportagem.
A concentração da escuta em um pequeno número de artistas também pode dificultar a ascensão de novos nomes. A Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido afirmou que quase dois terços das reproduções são de músicas gravadas por apenas 0,4% dos artistas. Alguns profissionais do setor argumentam que o sucesso viral não se traduz necessariamente em interesse duradouro pelo restante da obra de um artista.
As recomendações de streaming são outro motivo de preocupação. A musicóloga Anna-Kaisa Kaila disse à BBC que playlists baseadas em inteligência artificial podem refletir vieses presentes nos dados usados para treiná-las, dificultando a descoberta de estilos menos dominantes comercialmente. O DJ e curador Tim Garcia afirmou que recomendações baseadas no comportamento de escuta podem continuar direcionando as pessoas a músicas parecidas com aquelas de que já gostam.
Alguns artistas também questionam se as playlists distinguem claramente gravações feitas por pessoas de faixas sintéticas. O músico independente Chiminyo disse à BBC que as faixas de uma popular playlist de jazz relaxante soavam muito parecidas e pareciam produzidas em massa. O Spotify afirmou ter introduzido políticas válidas em toda a plataforma contra a imitação e estar aprimorando a forma como lida com questões relacionadas à inteligência artificial, observando que os artistas usam IA de maneiras diferentes.
Os números não significam que a música nova tenha desaparecido: canções atuais ainda podem se tornar grandes sucessos, e as plataformas de streaming dizem estar trabalhando para promover artistas emergentes. Oliver Schusser, chefe da Apple Music, disse à BBC que o serviço quer ajudar a desenvolver artistas para o futuro. O desafio é fazer com que os ouvintes os descubram em um mercado onde músicas conhecidas dominam grande parte das reproduções.
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