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O chefe da missão da ONU em Kosovo disse ao Conselho de Segurança que o aumento das tensões, as disputas não resolvidas e as alegações de tratamento desigual estavam corroendo a confiança entre as comunidades. A reunião também revelou divergências sobre o futuro da missão e a situação do Judiciário de Kosovo.
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O recente aumento das tensões em Kosovo está corroendo a confiança entre as comunidades e pressionando o caráter multiétnico do território, disse ao Conselho de Segurança, em 20 de outubro, o chefe da missão da ONU no local. Ele pediu que as novas instituições de Kosovo transformassem o recente avanço político em uma governança eficaz para todas as comunidades. [1]
Peter Due, representante especial do secretário-geral da ONU e chefe da Missão de Administração Interina das Nações Unidas em Kosovo (UNMIK), disse que as tensões haviam aumentado em Kosovo e na região nos seis meses anteriores. As eleições de junho foram pacíficas e inclusivas, afirmou, mas foram seguidas por incerteza política e retórica mais agressiva.
Due apontou disputas imobiliárias, a paralisação dos esforços para reintegrar profissionais sérvios kosovares do Judiciário e alegações de maus-tratos policiais a sérvios kosovares como fatores que reforçavam a percepção de insegurança e tratamento desigual. Ele também disse que 1.577 pessoas continuavam desaparecidas e pediu que os esforços para solucionar casos de pessoas desaparecidas permanecessem humanitários e livres de interferência política.
A reunião expôs fortes divergências tanto sobre a situação no terreno quanto sobre o futuro da UNMIK. O ministro das Relações Exteriores da Sérvia, Marko Đurić, alegou que sérvios kosovares enfrentavam intimidação e uso excessivo da força pela polícia e argumentou que a missão continuava sendo essencial. O representante de Kosovo, Glauk Konjufca, rejeitou o que chamou de relato seletivo dos acontecimentos, defendeu o fechamento de estruturas administradas pela Sérvia no norte de Kosovo como necessário para a segurança e o Estado de Direito e questionou o mandato da UNMIK.
Os membros do Conselho de Segurança também estavam divididos. Os Estados Unidos defenderam o encerramento da UNMIK, enquanto o Reino Unido pediu uma revisão estratégica de seu papel, suas responsabilidades e seu financiamento. A Rússia defendeu que a missão mantivesse seus funcionários e recursos. Due disse que a UNMIK continuava a apoiar o diálogo, a construção de confiança e a inclusão, apesar das limitações operacionais e financeiras.
A discussão também abordou a independência do Judiciário. Due disse que ela deve ser respeitada, após expressar preocupação com emendas que limitam os poderes das Câmaras Especializadas de Kosovo, que condenaram o ex-presidente Hashim Thaçi e outros três ex-líderes do Exército de Libertação de Kosovo por crimes de guerra. França e Grécia expressaram preocupação com as Câmaras e com a integração de juízes e promotores sérvios kosovares; a União Europeia pediu condições que permitissem a existência de um Judiciário multiétnico.
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A reunião terminou com apelos divergentes por responsabilização e diálogo. O representante de Kosovo pediu que a Sérvia assumisse a responsabilidade pelo ataque de Banjska, em 2023, enquanto Đurić disse que o diálogo deve produzir melhorias no cotidiano das pessoas, em vez de substituir a implementação. [1]