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António Guterres apelou a um apoio urgente à UNRWA, citando um défice de tesouraria de $100 milhões. Os serviços continuam a ser prestados, mas as promessas de financiamento dos doadores noticiadas não permitem ainda concluir que a lacuna de financiamento tenha sido colmatada.
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O secretário-geral da ONU, António Guterres, instou os governos a disponibilizarem financiamento e apoio político à agência da ONU para os refugiados palestinianos numa reunião ministerial em Nova Iorque, em 24 de setembro de 2026, alertando que a sua capacidade de prestar serviços estava em risco.
Em declarações publicadas pela UN Press, Guterres afirmou que a Agência das Nações Unidas de Assistência e Obras, UNRWA, enfrentava um défice de tesouraria de $100 milhões e que a sua capacidade de ação estava «seriamente ameaçada». Apelou à disponibilização de recursos e de espaço operacional, argumentando que a estabilidade regional estava em jogo. [1]
O alerta diz respeito à capacidade da agência para realizar o seu trabalho, não a um mandato expirado. A Assembleia Geral da ONU prorrogou o mandato da UNRWA até 30 de junho de 2029, embora essa autorização não assegure, por si só, financiamento ou acesso. [3]
Os serviços continuam a ser prestados. Noutras declarações, publicadas em 24 de setembro, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde afirmou que a UNRWA continuava a ser um dos principais prestadores de cuidados de saúde pública em Gaza, com mais de 1,000 funcionários a prestar 10,000 consultas de saúde por dia. A OMS alertou também que as restrições corriam o risco de comprometer ainda mais os serviços de saúde e a distribuição de ajuda. Estes números constituem um relato institucional, não uma auditoria independente aos serviços. [5]
A pressão financeira é anterior à reunião mais recente. Uma transcrição automática e não oficial da ONU de uma conferência de angariação de fundos de 30 de junho regista Guterres a referir um défice de $100 milhões e uma redução de 20% na prestação de serviços já efetuada em 2026. Os números de junho e setembro não abrangem necessariamente períodos contabilísticos ou componentes idênticos, pelo que a repetição do montante não permite concluir que a situação de tesouraria da UNRWA se mantinha inalterada. [2]
A agência tem também enfrentado pressões sobre as suas instalações. A Reuters noticiou em janeiro que bulldozers israelitas demoliram vários edifícios no interior do complexo da UNRWA em Jerusalém Oriental, que a agência não utilizava desde o início de 2025. O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel afirmou que o complexo não gozava de imunidade e que a sua tomada de posse respeitava o direito israelita e internacional. A UNRWA sustentou que continuavam a ser instalações da ONU; a notícia não resolveu essa disputa jurídica.
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Separadamente, um resumo de investigação de 26 de agosto do Gabinete do Inspetor-Geral da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional descreveu procedimentos relativos a funcionários individuais. Afirmou que mais de 100 funcionários atuais ou antigos da UNRWA tinham sido encaminhados para o Departamento de Estado dos EUA para análise de provas relativas a alegações de participação nos ataques de 7 de outubro de 2023 ou de ligação ao Hamas. [4]
O resumo referiu três propostas recentes de exclusão e uma exclusão com efeito em toda a administração pública já imposta a outro indivíduo. Os encaminhamentos, as sanções propostas e as sanções impostas são fases distintas, não uma contagem de infratores comprovados. O resumo não é uma sentença penal e não comprova o envolvimento da agência no seu conjunto. [4]
A Anadolu Agency noticiou que a Alemanha prometeu mais €20 milhões na reunião de setembro, repartidos em partes iguais entre a reabilitação de infraestruturas e a ajuda humanitária. A França anunciou €15 milhões, enquanto a Bélgica se comprometeu a disponibilizar mais €2.4 milhões para operações de emergência e educação. [10]
Os Países Baixos anunciaram também um aumento da ajuda anual de €11 milhões para €19 milhões, segundo a Anadolu. Uma carta ministerial neerlandesa de março tinha exposto essa intenção, mas condicionava a assunção do compromisso e a realização da despesa à aprovação do orçamento suplementar de setembro. Os elementos disponíveis não comprovam essa aprovação nem o pagamento. [Fontes 7, 10]
Continuam por esclarecer o calendário das promessas de financiamento noticiadas, as restrições à utilização dessas verbas e o seu tratamento na previsão de tesouraria da UNRWA. Sem registos de pagamento ou uma discriminação financeira comparável, os montantes anunciados em euros não podem ser simplesmente deduzidos do défice noticiado da agência, expresso em dólares dos EUA.