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Uma petição eleitoral brasileira aponta para pressão dos EUA sobre Jair Bolsonaro e contactos de campanha contestados, mas as provas não mostram que Washington tenha dirigido uma operação conjunta.
O que mudou? · 03/10/26, 15:22 UTC
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A coligação eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou uma petição no Tribunal Superior Eleitoral do Brasil em 23 de setembro, alegando que a intervenção estrangeira e os abusos de poder económico e político poderiam beneficiar o candidato presidencial Flávio Bolsonaro. Pede o cancelamento das candidaturas de Bolsonaro e do seu candidato a vice-presidente, ou dos respetivos diplomas eleitorais caso vençam, bem como a inelegibilidade de Flávio e do seu irmão Eduardo por oito anos. Estas são medidas pedidas pela coligação na petição inicial. [2]
A acusação tem um contexto político concreto. Em julho de 2025, uma ordem executiva dos EUA impôs uma tarifa adicional de 40% a determinados produtos brasileiros e criticou explicitamente o processo judicial contra o antigo presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio. A ordem também alegou que as ações do Brasil ameaçavam a sua capacidade de realizar eleições presidenciais livres e justas em 2026. Isto documenta pressão económica dos EUA relacionada com questões políticas e judiciais brasileiras; por si só, não demonstra que Washington tenha coordenado ações com a campanha de Flávio. [4]
Lula acusou membros da família Bolsonaro de incentivarem a intervenção dos EUA. A família negou as alegações. Em setembro, a Reuters noticiou que responsáveis dos serviços de informações brasileiros tinham informado responsáveis franceses e alemães em visita ao país sobre alegadas interferências dos EUA e da Rússia. As agências francesas confirmaram a participação na visita, não as alegações de interferência; o Departamento de Estado dos EUA já tinha negado que procurasse interferir nas eleições brasileiras. [11] [12] [8]
Washington apresenta uma explicação distinta para uma medida tarifária posterior. Em julho de 2026, o representante comercial dos EUA anunciou uma tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros ao abrigo de uma lei diferente, invocando uma investigação sobre práticas comerciais e regulamentares. Flávio Bolsonaro tinha-se manifestado publicamente contra as novas tarifas propostas. Um inquérito citado pela Reuters concluiu que mais inquiridos disseram que as tarifas os tinham levado a inclinar-se para Lula do que para Flávio, embora essas respostas não permitam determinar como alguém vai votar.
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Também foram levantadas questões sobre contactos privados em torno da campanha de Flávio. A Folha de S.Paulo noticiou que pessoas ligadas à rede Rockbridge, sediada nos EUA, tinham prestado aconselhamento ou serviços; a campanha negou ter recebido dinheiro ou infraestruturas estrangeiros, e pessoas mencionadas na notícia contestaram aspetos do relato. Contactos e serviços contestados são coisas distintas de uma conclusão de que o Governo dos EUA financiou a campanha. [9]
Os brasileiros deverão votar na primeira volta a 4 de outubro. Uma tentativa de influenciar uma eleição não exigiria provas de que os votos mudaram, mas o argumento mais amplo da coligação depende de esta conseguir sustentar os alegados vínculos entre ações estrangeiras e a campanha de Bolsonaro. [7] [2]