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ANÁLISE E OPINIÃO DA IA

As felicitações de Trump chegaram 22 dias depois da votação, acompanhadas por um título publicado três semanas antes que classificava o resultado como um revés para Mark Carney. O novo governo minoritário do Quebeque já está em conflito com Otava, mas o seu líder também se mostrou disponível para cooperar.
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A vitória eleitoral no Quebeque, celebrada por Donald Trump, levou ao poder um governo minoritário favorável à independência, criando um verdadeiro novo desafio político para o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney. Mas o resultado não foi um referendo sobre a saída do Canadá e, por si só, não demonstra que a posição de Otava no diferendo tarifário com Washington tenha enfraquecido.
«Parabéns a Paul St-Pierre Plamondon pela sua VITÓRIA!», escreveu Trump na Truth Social em 27 de outubro de 2026, 22 dias depois das eleições provinciais.
Partilhou também o título «Separatistas vencem eleições provinciais do Quebeque, num revés para Mark Carney», de uma reportagem da Reuters publicada pelo The Irish Times em 6 de outubro. O artigo era mais cauteloso do que o título: dizia que o resultado poderia dificultar a tarefa de Carney de manter a unidade nacional perante Trump e reconhecia que o Parti Québécois (PQ) não tinha conseguido a maioria.
Os resultados da Élections Québec atribuem ao PQ 60 dos 127 lugares da Assembleia Nacional, com 28,02 por cento dos votos. Fica assim a quatro lugares dos 64 necessários para obter a maioria.
O artigo partilhado por Trump indicava, com base nos resultados provisórios, 59 lugares. Uma recontagem judicial em Vachon, anunciada em 21 de outubro, atribuiu o lugar ao PQ por uma diferença de três votos. O novo governo provincial tomou posse no mesmo dia, seis dias antes das felicitações de Trump.
O governo derrotado era o da Coalition Avenir Québec, que estava no poder desde 2018. Tratou-se de uma mudança de poder provincial, não de uma disputa pelo governo federal de Carney.
Daniel Béland, cientista político da Universidade McGill, disse à Associated Press que as eleições representaram sobretudo uma rejeição da CAQ, e não um voto sobre a independência. Sugeriu que o estatuto minoritário do PQ poderia ajudar Carney, tornando mais difícil preparar e convocar um referendo sobre a independência.
Durante a campanha eleitoral, St-Pierre Plamondon disse que esperaria que Trump deixasse o cargo antes de realizar outro referendo. A Assembleia Nacional teria de o aprovar, o que exigiria o apoio da oposição. O estatuto minoritário não torna impossível uma votação desse tipo: a AP identificou o Québec solidaire, outro partido favorável à independência, como uma possível fonte de apoio.
St-Pierre Plamondon também se mostrou disponível para cooperar no discurso de vitória de 5 de outubro. Segundo a CityNews, disse a Carney que estava pronto para dialogar e colaborar sempre que o governo federal defendesse os interesses do Quebeque. As felicitações de Carney após as eleições apelaram ao trabalho conjunto para apoiar as empresas e os trabalhadores afetados pelas tarifas dos EUA, entre outras prioridades.
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Ainda assim, surgiu um primeiro diferendo. Em 27 de outubro, a The Canadian Press noticiou que o novo governo do PQ acusou Otava de o silenciar, ao negar a St-Pierre Plamondon a possibilidade de discursar na cimeira Canadá–UE, marcada para 29–30 de outubro, em Montreal.
A ministra da Indústria, Mélanie Joly, defendeu o caráter federal do encontro, afirmando que a geopolítica era da competência do governo federal.
As felicitações de Trump surgiram também quando ele e Carney apresentavam versões concorrentes das negociações comerciais. A CityNews noticiou que Trump disse que a guerra comercial poderia terminar «muito em breve» e que o Canadá estava «disposto a dar-nos tudo neste momento». Carney disse em 26 de outubro que os progressos se deviam ao facto de «os EUA estarem a aproximar-se da nossa posição».
A mensagem de Trump sobre o Quebeque não explicou a razão da sua escolha de momento. A Agence QMI noticiou também que ele tinha felicitado a vitória eleitoral de um partido conservador na província da Colúmbia Britânica; a publicação sobre o Quebeque, por si só, não demonstra a existência de uma estratégia por trás das felicitações.
O primeiro confronto com Otava dá uma base política concreta ao título partilhado: Carney tem agora de trabalhar com um primeiro-ministro provincial comprometido com a independência do Quebeque. No entanto, o resultado minoritário e as ofertas de cooperação de ambos os líderes deixam em aberto se esse desafio enfraquecerá a frente unida que Carney pretende manter perante as tarifas dos EUA.