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As ligações por satélite da Ucrânia voltaram a funcionar, mas a interrupção expôs uma lacuna: os serviços europeus podem servir de alternativa, mas ainda não conseguem igualar todos os usos da Starlink e da Starshield.
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A Ucrânia afirma que as suas ligações Starlink e Starshield regressaram às velocidades anteriores depois de restrições terem perturbado as operações na linha da frente durante mais de uma semana. O episódio tornou mais premente uma questão prática: se essas ligações da SpaceX voltarem a falhar, poderão as redes europeias substituí-las? Podem fornecer alguma conectividade, mas não existe uma alternativa pronta a usar para todos os fins no campo de batalha.
A Starlink assegura as comunicações no campo de batalha, enquanto o serviço Starshield, de nível militar, apoia as operações com drones. Segundo a Associated Press, os comandantes relataram drones perdidos e missões perturbadas durante as restrições. A velocidade e o equipamento portátil são importantes, além da cobertura por satélite: uma ligação que funciona para um veículo ou posto de comando pode não ser adequada a um drone pequeno.
A opção comercial europeia mais imediata é a rede OneWeb da Eutelsat. Este mês, a Eutelsat disse à Reuters que já estava a fornecer conectividade na Ucrânia, em parceria com outras entidades. Mas a mudança da SpaceX exigiria terminais diferentes. O consultor de satélites Christian Freiherr von der Ropp disse à Reuters que o tamanho, o peso, as necessidades energéticas e o custo do equipamento OneWeb limitam a sua adequação a aplicações na linha da frente. A existência de um serviço na Ucrânia não equivale, portanto, a uma substituição direta da Starshield.
O programa GOVSATCOM da UE oferece outra via. Reúne capacidade de satélite para utilizadores governamentais autorizados e, segundo a Comissão Europeia, tem serviços iniciais em funcionamento desde janeiro. A Ucrânia ainda não tem acesso pleno: a Comissão afirma que a sua participação exige um acordo internacional formal. Não foi definida uma data para o início do acesso da Ucrânia.
A BBC noticia que a capacidade atual do GOVSATCOM não permite realizar as tarefas de controlo de drones para as quais a Ucrânia utiliza a Starshield. Isso não significa que o programa exclua por completo os utilizadores militares: a Comissão inclui as forças armadas entre os seus potenciais utilizadores. A possibilidade de os seus serviços responderem a necessidades militares específicas da Ucrânia é uma questão técnica distinta. A UE prevê acrescentar fornecedores comerciais ao GOVSATCOM em 2027, mas essa expansão ainda não está disponível.
O projeto a mais longo prazo é o IRIS², uma constelação planeada pela UE com 348 satélites. O anúncio da Comissão, em agosto, sobre a implantação prevê os primeiros lançamentos para 2029, seguidos dos primeiros serviços seguros. Embora um porta-voz da Comissão tenha falado em funcionamento pleno em 2029, esse calendário de implantação não estabelece quando a rede completa poderá ser utilizada pela Ucrânia; o acesso também exigiria um acordo.
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A empresa finlandesa ICEYE e a Nokia assinaram uma carta de intenções com o Ministério da Defesa da Ucrânia para explorar um sistema de comunicações por satélite que a Ucrânia pudesse controlar. As empresas esperam que os primeiros lançamentos do seu projeto mais amplo ocorram em 2028, mas não anunciaram uma data de lançamento na Ucrânia nem uma rede operacional. Por enquanto, as opções europeias oferecem formas de reduzir a dependência de um único fornecedor, mas não constituem uma substituição completa ou imediata.