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Os investigadores afirmam que modelos de IA treinados com mais de 40 milhões de imagens faciais conseguem estimar a idade biológica e prever a sobrevivência ao cancro a partir de uma fotografia do rosto. As ferramentas continuam experimentais e ainda não estão prontas para uso clínico.
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Os investigadores desenvolveram ferramentas de inteligência artificial que estimam a idade biológica e preveem a sobrevivência de doentes com cancro a partir de uma fotografia do rosto. Mas o sistema continua em desenvolvimento e ainda não está pronto para ser usado em hospitais, afirmam os investigadores.
O modelo, desenvolvido por investigadores do grupo norte-americano de cuidados de saúde Mass General Brigham, foi treinado com mais de 40 milhões de imagens faciais. Deu origem a duas ferramentas: FAHR-FaceAge, que estima a idade aparente de uma pessoa em comparação com a sua idade real, e FAHR-FaceSurvival, que prevê a sobrevivência ao cancro diretamente a partir de uma fotografia do rosto. [1] [2]
Os modelos usam diferentes características faciais. O FaceAge concentra-se em zonas como a testa, as têmporas e as pregas junto ao nariz e à boca; o FaceSurvival atribui mais importância à zona por baixo dos olhos e à volta da cana do nariz, segundo os investigadores. As estimativas apresentaram uma correlação fraca, e a sua combinação melhorou o ajustamento de um modelo de sobrevivência num grupo de validação externa, afirmou a Mass General Brigham. [1]
A BBC noticia que o estudo incluiu 35 mil fotografias de doentes com cancro. Segundo a estação, os doentes eram dos EUA e dos Países Baixos e abrangiam vários tipos de cancro e faixas etárias. Entre os doentes norte-americanos tratados com radioterapia, aqueles que, segundo a estimativa, pareciam ter pelo menos cinco anos a mais do que a idade real tinham um risco 21% superior de morrer durante um acompanhamento médio de quatro anos, em comparação com o resto do grupo; aqueles que, segundo a estimativa, pareciam ter pelo menos cinco anos a menos tinham um risco 17% inferior, noticia o The Guardian. [2] [3]
Estas conclusões mostram uma associação entre as estimativas de idade do modelo e a sobrevivência nos grupos estudados. Não demonstram que uma fotografia do rosto possa explicar o prognóstico de uma pessoa ou substituir as avaliações clínicas que os médicos já utilizam.
O investigador principal do estudo, Raymond Mak, afirmou que o objetivo era tornar as avaliações de saúde feitas a partir de fotografias faciais mais consistentes e escaláveis, para apoiar as decisões sobre o tratamento, «em vez de substituir o discernimento dos médicos».
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A BBC noticia que os investigadores querem obter mais dados, sobretudo de pessoas de um leque mais vasto de grupos étnicos, para avaliar o desempenho das ferramentas. Miroslaw Bober, especialista em aprendizagem automática da Universidade de Surrey, disse à BBC que o sistema «não está pronto para uso clínico» e precisa de ser testado em comparação com as avaliações dos médicos e em diferentes hospitais e grupos de doentes. Acrescentou: «Prever um resultado não é o mesmo que explicá-lo.» [3]
A Mass General Brigham está a convidar membros do público a carregar uma fotografia para receberem uma indicação da idade biológica estimada, contribuindo ao mesmo tempo com dados para futuras investigações.