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Delegados disseram a uma comissão da Assembleia Geral da ONU que as tensões geopolíticas estão a complicar a cooperação no espaço, depois de o seu comité especializado não ter conseguido chegar a acordo sobre um relatório substantivo na sua mais recente sessão.
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Delegados numa comissão da Assembleia Geral da ONU alertaram que as tensões geopolíticas estão a dificultar a obtenção de consensos sobre questões espaciais, apesar de apelarem à transparência e à continuidade da cooperação internacional.
O debate sobre a utilização pacífica do espaço exterior teve lugar a 27 de outubro na Quarta Comissão, que ouviu o relatório anual do Comité das Nações Unidas para a Utilização Pacífica do Espaço Exterior (COPUOS). Segundo o relato da ONU, na sua mais recente sessão o comité teve dificuldades em alcançar consenso sobre questões substantivas.
A representante do Canadá, que falou em nome da Austrália e da Nova Zelândia, descreveu a sessão como a mais difícil de que havia memória recente. Disse que as negociações sobre o relatório tinham sido excecionalmente difíceis e que as tensões geopolíticas estavam a complicar as decisões, mesmo em fóruns técnicos. Segundo o representante da China, o comité não aprovou um relatório substantivo na sua mais recente sessão; atribuiu a responsabilidade a um país que, segundo ele, colocou a sua própria posição acima da dos restantes membros.
O relato da ONU não identifica esse país na descrição das declarações da China. Separadamente, a União Europeia criticou um projeto de resolução sobre ciência espacial apoiado pela Rússia, argumentando que duplicava trabalho já existente e levantava questões de segurança num fórum que não era adequado para as abordar. Os relatos registam posições divergentes entre os delegados; não estabelecem uma explicação única para a falta de consenso.
O presidente do COPUOS, Mario Cospito, disse que o comité continuava a trabalhar na sustentabilidade a longo prazo, na partilha de informações entre operadores de satélites e em projetos de princípios para atividades relacionadas com os recursos espaciais. Segundo ele, uma nova equipa de ação para as atividades lunares começara a elaborar recomendações sobre partilha de informações, intercâmbio e consulta.
Cospito descreveu a Lua como «já não apenas um destino», mas um lugar onde estão a surgir novas atividades, e salientou a necessidade de diálogo e transparência. A representante do Canadá também apontou a equipa de ação lunar como um resultado positivo, apesar das dificuldades. Disse que reforçar a eficácia do comité não deveria implicar uma mudança da sua natureza fundamental.
Os delegados também levantaram questões sobre o acesso aos benefícios das atividades espaciais. A representante do Brasil criticou a omissão da expressão «países em desenvolvimento» nos relatórios das duas subcomissões do comité, argumentando que a sua eliminação não resolveria o acesso desigual à tecnologia espacial. Oradores do Paquistão, de Chipre, do Senegal e das Filipinas salientaram o papel das atividades espaciais pacíficas no desenvolvimento.
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A União Europeia considerou o Tratado do Espaço Exterior de 1967 e os acordos relacionados como a pedra angular da governação espacial mundial. O seu representante referiu as restrições do tratado à colocação em órbita, em corpos celestes ou noutros locais do espaço de armas nucleares ou outras armas de destruição maciça. Também manifestou preocupação com as aproximações a curta distância entre satélites e com aquilo a que chamou perseguição e assédio de outros satélites.
O representante do Sri Lanka apontou a Estação Espacial Internacional como um exemplo de cooperação que perdura apesar das relações tensas na Terra. Disse ainda que informações espaciais mais fiáveis poderiam ajudar a proteger vidas e meios de subsistência num país vulnerável a ciclones, inundações e deslizamentos de terras.
O debate teve lugar numa altura em que o comité enfrenta restrições financeiras que, segundo Cospito, estavam a pressionar tanto o COPUOS como o Gabinete das Nações Unidas para os Assuntos do Espaço Exterior. Os delegados apelaram à continuidade da cooperação baseada no consenso, mas a falta de aprovação de um relatório substantivo na mais recente sessão deixa por resolver o acordo sobre o trabalho e as prioridades do comité.