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O vice-presidente do BCE, Boris Vujčić, afirma que uma integração mais profunda dos mercados europeus poderá ajudar a UE a gerir choques geopolíticos, preservando os benefícios da abertura.
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O vice-presidente do Banco Central Europeu, Boris Vujčić, apelou a uma integração mais profunda do mercado único da UE, argumentando que o reforço do comércio e das finanças transfronteiriços ajudaria o bloco a resistir a choques geopolíticos e económicos sem recuar na abertura global.
Num discurso proferido na Conferência sobre o Sistema Financeiro do Banco Central da Irlanda, em Dublin, a 2 de novembro, Vujčić afirmou que a fragmentação na Europa estava a limitar a sua capacidade de partilhar riscos e apoiar o investimento. Apontou para as diferenças entre regras e procedimentos nacionais, que, segundo estimativas do BCE, equivalem a tarifas de cerca de 67% sobre os bens e 95% sobre os serviços — valores que descreveu como estimativas do limite superior.
Vujčić afirmou que a exposição da Europa a choques externos era visível nos mercados energéticos. A UE importa 57% da sua energia, disse, e quase todo o seu petróleo e gás. A diversificação do abastecimento após a invasão da Ucrânia pela Rússia foi uma conquista importante, acrescentou, mas não impediu um novo choque energético quando as tensões se agravaram no Médio Oriente no início deste ano.
Os efeitos dos choques também variam entre os Estados-Membros. Vujčić referiu a crise energética de 2022, quando os preços da eletricidade para as empresas aumentaram mais e permaneceram elevados durante mais tempo em Itália do que em Espanha, em parte porque Espanha produz mais eletricidade a partir de fontes renováveis.
Defendeu que um mercado energético, um sistema financeiro e uma infraestrutura de pagamentos mais integrados poderiam ajudar os países a absorver essas pressões. Nos mercados financeiros, o investimento transfronteiriço pode repartir perdas e ganhos; Vujčić afirmou que um estudo do BCE concluiu que os mercados e as transferências orçamentais absorvem cerca de 30% dos choques na produção económica da área do euro, em comparação com cerca de 70% ao nível dos estados dos EUA. Segundo o estudo que citou, os mercados de capitais representam apenas 5% a 10% dessa partilha de riscos na área do euro.
O discurso também destacou a diferença entre o investimento europeu e o norte-americano. Vujčić afirmou que os fundos de capital de risco dos EUA investem cerca de seis vezes mais do que os fundos sediados na UE e alertou que o financiamento estrangeiro pode aumentar a probabilidade de as empresas europeias em fase de arranque bem-sucedidas transferirem as suas sedes ou propriedade intelectual para o estrangeiro, ou serem cotadas fora da UE.
As suas propostas incluíam reduzir as barreiras no mercado único, concluir um sistema europeu de garantia de depósitos, harmonizar algumas regras fiscais e de insolvência e desenvolver sistemas europeus de pagamentos digitais. Afirmou que reduzir em 2% as barreiras internas aos bens e serviços poderia, a longo prazo, compensar o efeito projetado do aumento das tarifas dos EUA sobre o PIB da área do euro entre 2025 e 2027 — estimado em cerca de 0,7 pontos percentuais.
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O argumento do vice-presidente do BCE dá continuidade ao seu apelo anterior ao investimento para proteger a natureza e a resiliência económica, mas este discurso centrou-se na integração dos mercados e no sistema financeiro. Vujčić afirmou que a abertura, a integração e a resiliência se reforçavam mutuamente e que a capacidade da Europa para absorver choques dependia, em parte, de escolhas que podia fazer por si própria.