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Guterres detalhou as medidas de proteção contra o calor que quer ver implementadas pelos governos e alertou que novos projetos de combustíveis fósseis aumentam os perigos futuros. A investigação confirma o risco mais amplo do calor, mas não atribui um número de mortes a cada projeto.
O que mudou? · 06/10/26, 18:25 UTC
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O primeiro Fórum Global sobre o Calor abriu em Banguecoque a 6 de outubro. Decorre até 9 de outubro e visa mobilizar financiamento e reforçar as respostas ao calor extremo. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), coorganizadora, reuniram-se quase 600 cientistas, líderes empresariais, filantropos e especialistas de saúde. [1]
Ao discursar no fórum, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou a que todas as cidades tenham um plano de ação contra o calor até 2030, apoiado por recursos e por trabalho coordenado nos setores da saúde, habitação, energia e transportes. [1]
A OMM afirmou que a abertura incluiu o lançamento de recursos para governos, cidades e serviços de saúde. Entre eles estão um relatório de evidências sobre calor e saúde, uma plataforma para avaliar intervenções contra o calor, um roteiro de investimento e avaliações sobre calor e saúde para o Bangladesh, o Butão, a Índia e o Nepal. [1]
A OMM citou também estimativas de 2025 segundo as quais uma utilização mais ampla de sistemas de alerta de saúde relacionados com o calor poderia proteger 1,5 mil milhões de pessoas e evitar quase 100 000 mortes por ano. [1]
No texto publicado pela ONU da sua mensagem de 6 de outubro ao Fórum Global sobre o Calor, o secretário-geral António Guterres apela aos governos nacionais e locais para transformarem os planos contra o calor em proteção concreta. Quer alertas precoces que cheguem a todos, normas claras de segurança contra o calor para os trabalhadores e refrigeração sustentável para quem mais precisa. Afirma que as autoridades da saúde, habitação, energia e transportes têm de trabalhar em conjunto, com apoio de financiamento, dados, tecnologia e capacidade de execução. São propostas, não medidas cuja adoção tenha sido anunciada. [2]
Guterres alerta também que cada novo projeto de combustíveis fósseis torna as futuras ondas de calor mais mortíferas. Um estudo de 2025 publicado na *Nature* dá motivos substanciais para preocupação com as emissões e o calor: concluiu que as alterações climáticas tornaram mais prováveis e intensas 213 ondas de calor registadas entre 2000 e 2023. Os investigadores atribuíram cerca de metade do aumento da intensidade dessas ondas de calor, em comparação com o clima de 1850–1900, a emissões históricas associadas a 180 produtores de combustíveis fósseis e cimento. Não calcularam as mortes atribuíveis a cada novo projeto.
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Há uma diferença entre as emissões de um produtor ao longo do tempo e o efeito líquido de um projeto proposto. A Agência Internacional de Energia afirma que alguns novos campos de petróleo e gás seriam necessários num cenário em que os países cumprissem os seus compromissos climáticos, enquanto o seu cenário global de emissões líquidas nulas até 2050 exige que não sejam iniciados novos projetos convencionais de petróleo e gás com longos prazos de desenvolvimento. A agência alerta também que novos empreendimentos poderiam consolidar emissões para além do limiar de 1,5 °C. Esses cenários não medem o efeito de nenhum projeto individual nas mortes relacionadas com o calor. [5]
A síntese sobre calor e saúde publicada para o fórum afirma que os planos de ação contra o calor podem reduzir os riscos a longo prazo quando são devidamente dirigidos e dotados de recursos. Afirma também que esses planos são frequentemente mal implementados e carecem de monitorização e avaliação. Por isso, para alcançar a proteção pretendida por Guterres, é fundamental executar os planos, e não apenas criá-los. [6]