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ANÁLISE E OPINIÃO DE IA
Ilustração editorialA Ucrânia atinge uma fonte de renda da Rússia com seus ataques. Uma trégua energética pode oferecer proteção a Kyiv, mas somente se houver reciprocidade. E a política do próprio Trump em relação ao Irã deve fazer parte de qualquer explicação para o diesel caro.
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Donald Trump lamenta que refinarias russas tenham sido desativadas. Para a Ucrânia, porém, esse dano é uma das maneiras de tornar a guerra mais cara para Moscou. É aí que seu apelo entra em conflito: ele quer a paz, mas também pede a Kyiv que limite um instrumento de pressão. Que concessão russa tornaria isso vantajoso para a Ucrânia?
Em sua publicação no Truth Social de 21 de setembro, Trump escreve que a Rússia perdeu o controle de sua indústria de diesel e que a guerra precisa acabar. Isso vem depois de seu apelo de 13 de setembro a Volodymyr Zelensky para que interrompesse os ataques a instalações russas de diesel. O Kremlin saudou o apelo. Uma semana depois, o mesmo dano volta ao centro da mensagem de Trump. A repetição diz algo: o avanço decisivo que ele anunciou não pôs fim aos ataques. [1][2][4]
Uma reunião com Zelensky está marcada para 22 de setembro, em Nova York. Segundo a Reuters, o presidente ucraniano quer discutir uma trégua energética. Isso torna concreta a questão da contrapartida, justamente quando a Ucrânia precisa proteger seu fornecimento de eletricidade e aquecimento para o inverno. [7]
Uma refinaria transforma petróleo bruto em combustíveis. Quando ela para de funcionar, isso afeta a disponibilidade interna, as exportações de derivados de petróleo e a renda obtida com elas. Kyiv afirma que usa os ataques para elevar os custos da invasão russa. Isso explica por que, do ponto de vista ucraniano, os problemas russos com combustíveis não são um incidente isolado que deva ser resolvido o mais rápido possível. [2][3]
O dano econômico é visível. O instituto ucraniano KSE Institute calculou que a receita da Rússia com exportações de petróleo caiu cerca de 2 bilhões de dólares em julho, chegando a 13,8 bilhões de dólares. As exportações de derivados de petróleo recuaram fortemente. Mas os preços também mudaram, e Moscou restringiu as exportações de combustíveis por conta própria. Seria exagero atribuir toda a queda da receita a ataques com drones.
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Isso também não prova que a Rússia ficará em breve sem dinheiro para financiar sua guerra. O KSE observou que as exportações de petróleo bruto continuaram perto de níveis recordes. Ter menor capacidade de refino é diferente de não conseguir mais vender petróleo. Os ataques causam custos e perturbações; não sabemos quanto disso seria necessário para mudar a decisão política de Putin. [3]
A preocupação de Trump, portanto, é compatível com a pressão comprovadamente exercida sobre a Rússia. Ela não prova que Zelensky já alcançou seu objetivo final. Ainda assim, é uma estratégia de paz estranha pedir que a Ucrânia reduza essa pressão sem esclarecer como Moscou será então levada a fazer concessões.
A própria Ucrânia tem algo a ganhar com uma trégua energética recíproca: menos ataques russos à sua rede elétrica, às instalações de energia e a outras infraestruturas críticas. Zelensky não rejeitou essa troca. Ele estabeleceu como condições o cumprimento dos termos e a confiabilidade da Rússia. [4]
Trump já havia anunciado um acordo em 14 de setembro. Kyiv falou com mais cautela, referindo-se a uma proposta. O Kremlin chamou a ideia de boa, mas, na resposta que se seguiu, não confirmou a existência de um acordo fechado. Em 15 de setembro, autoridades ucranianas relataram ataques russos a dois postos de combustível em Kyiv; Zelensky relatou um ataque ucraniano à refinaria de Syzran. [4]
Essa sequência mostra por que um anúncio não oferece proteção. Ela não prova quem violou primeiro uma trégua conjunta: para isso, é preciso que o acordo, a data de início e as violações estejam comprovados. Também não há aqui um total confiável de todos os ataques desde o anúncio.
A diferença entre reciprocidade e unilateralidade é decisiva. Se ambas as partes demonstrarem contenção, a Ucrânia receberá proteção em troca. Se apenas Kyiv parar, a Rússia terá oportunidade de se recuperar, enquanto a Ucrânia abrirá mão de um instrumento de pressão econômica. Isso pode, na verdade, reduzir o incentivo para concessões russas. Essa é nossa interpretação estratégica, não uma previsão de que uma trégua necessariamente fracassará.
A preocupação de Trump com o combustível caro é compreensível por si só. Sua explicação fica incompleta quando o papel dos Estados Unidos no Oriente Médio é deixado de fora. Em uma publicação anterior, de 14 de setembro, ele atribuiu a alta do preço do diesel sobretudo à guerra entre Rússia e Ucrânia e excluiu o Irã. Essa alegação sobre os preços não aparece literalmente em sua nova publicação de 21 de setembro. [6]
A AIE descreve, de fato, um importante fator iraniano. As exportações líquidas de diesel e gasóleo dos Estados do Golfo chegaram a cerca de 390.000 barris por dia em agosto: pouco mais de um quarto do nível anterior à guerra. Ou seja, exportações quase 75 por cento menores, não uma queda de 75 por cento na produção. A passagem limitada pelo Estreito de Ormuz foi um problema importante. As perturbações na Rússia se somaram a essas perdas. [5]
Há também uma contradição nos efeitos das duas guerras. A Ucrânia tenta atingir a economia russa; um mercado mundial com oferta restrita pode sustentar a receita do petróleo russo que ainda é vendido. O KSE elevou sua estimativa de receita para a Rússia após o fracasso da trégua entre Estados Unidos e Irã. Trata-se de um cenário, não de uma prova de que preços mais altos compensam todos os danos dos ataques. [3]
Quem busca preços mais baixos para o diesel também tem, portanto, motivo para procurar uma desescalada com o Irã. Trump não decide por todas as partes em conflito e não pode garantir a segurança da navegação com uma única ordem. Mas ele tem responsabilidade política direta pela atuação militar e pela posição de negociação dos Estados Unidos. Isso deve fazer parte de sua explicação sobre os preços, tanto quanto as refinarias russas.
O Kremlin tem interesse declarado em interromper os ataques ucranianos. O apelo de Trump está alinhado com esse interesse. Isso não significa que Putin lhe diga o que falar; não há provas disso. [2]
Não é preciso invocar essa suposta instrução para avaliar criticamente sua política. A questão relevante é se a proposta dele tornaria mais difícil para a Rússia dar continuidade à guerra ou se limitaria principalmente os danos à Rússia. Isso depende das concessões que Moscou faz e de como se garante o cumprimento do acordo.
Um apelo à paz só merece ser chamado de resultado quando muda algo para as pessoas que estão sob fogo. Até lá, Trump precisa explicar por que a Ucrânia deveria abrir mão de seu instrumento de pressão — e que contenção russa comprovável receberia em troca.